Pequeno e inexperiente quadrinho realizado sobre o tema tratado.
Para visualizar, clique AQUI.
Paulo Davi Cardoso Alcântara. Possui graduação em História Licenciatura pela Universidade Federal de Alagoas, Aperfeiçoamento em Educação para as Relações Etnicorraciais e é pós-graduando em Mídias na Educação, todas pela mesma instituição. Experiência nas áreas de História do Nordeste, História de Alagoas, Memória coletiva, Cangaço.
sexta-feira, 6 de março de 2015
Cordel sobre tema do módulo.
Pequeno cordel à respeito do tema escolhido no módulo criado na atividade anterior.
Nos vamos a narração
Da vida de Virgulino
Antes de ser Lampião
Foi um exemplar menino
Depois rapaz dedicado
Um trabalhador honrado
Desconhecendo o destino
Da vida de Virgulino
Antes de ser Lampião
Foi um exemplar menino
Depois rapaz dedicado
Um trabalhador honrado
Desconhecendo o destino
Pernambuco, em Vila Bela
Atual Serra Talhada
Nasce a criança singela
Que foi porém destinada
Por tirania e embaraço
Tornar-se o Rei do Cangaço
Figura determinada
Atual Serra Talhada
Nasce a criança singela
Que foi porém destinada
Por tirania e embaraço
Tornar-se o Rei do Cangaço
Figura determinada
Também a mulher valente
Quando há luta se agita
Citamos no Ceará
A coragem de Jovita
E no sertão da Bahia
A jovem de valentia
De nome Maria Bonita
Quando há luta se agita
Citamos no Ceará
A coragem de Jovita
E no sertão da Bahia
A jovem de valentia
De nome Maria Bonita
O delegado Batista
Matou o pai de Lampião
Não deveria ter mexido
Com a família do justiceiro ladrão
Lampião com sede de vingança
Reuniu o grupo e fez a matança
Matou o pai de Lampião
Não deveria ter mexido
Com a família do justiceiro ladrão
Lampião com sede de vingança
Reuniu o grupo e fez a matança
Porém quisera a má sorte
Agravar a situação
Velho Virgulino morre
Vai pra debaixo do chão
E assim se realiza o fim de Lampião
Agravar a situação
Velho Virgulino morre
Vai pra debaixo do chão
E assim se realiza o fim de Lampião
Só que pra muita gente
O cangaço não morreu
Lampião e todos os outros
Nossa cultura absorveu
E eu finalizo esse cordel
Mais um pra chamar de meu.
O cangaço não morreu
Lampião e todos os outros
Nossa cultura absorveu
E eu finalizo esse cordel
Mais um pra chamar de meu.
Módulo Didático
Módulo Didático realizado para um curso denominado "O Cangaço no Nordeste Brasileiro - Séculos XIX e XX" de 20 horas da disciplina de História.
- Refletir sobre as consequências que o fenômeno trouxe para a memória coletiva e cultura do Brasil, especialmente do Nordeste.
O CANGAÇO NO
NORDESTE BRASILEIRO – SÉCULOS XIX E XX.
Paulo Davi Cardoso
Alcântara
Maceió, 2015.
Carta de Apresentação
Paulo Davi Cardoso Alcântara. Possui graduação em História
Licenciatura pela Universidade Federal de Alagoas, Aperfeiçoamento em Educação
para as Relações Etnicorraciais e é pós-graduando em Mídias na Educação, todas
pela mesma instituição. Experiência nas áreas de História do Nordeste, História
de Alagoas, Memória coletiva, Cangaço.
Carta do professor ao aluno:
(entre 70 e 100 palavras).
Caro aluno,
É sabido que o fenômeno do Cangaço é um fato histórico e cultural conhecido no Brasil e no mundo, movimento este que manchou de sangue o sertão nordestino trazendo muito sofrimento e dor a milhares de pessoas, assim como muita aventura, heroísmo e busca pela justiça social. Suas causas e efeitos são as mais diversas possíveis, assim como seus líderes de ambos os lados (cangaceiros x polícia) e demais membros. Neste curso, vamos procurar entender suas raízes, desdobramentos e consequências para a História e Cultura do Nordeste e do Brasil.
É sabido que o fenômeno do Cangaço é um fato histórico e cultural conhecido no Brasil e no mundo, movimento este que manchou de sangue o sertão nordestino trazendo muito sofrimento e dor a milhares de pessoas, assim como muita aventura, heroísmo e busca pela justiça social. Suas causas e efeitos são as mais diversas possíveis, assim como seus líderes de ambos os lados (cangaceiros x polícia) e demais membros. Neste curso, vamos procurar entender suas raízes, desdobramentos e consequências para a História e Cultura do Nordeste e do Brasil.
Plano de Disciplina:
Curso: O
Cangaço no Nordeste brasileiro – séculos XIX e XX.
Título da Disciplina
O Cangaço no Nordeste brasileiro – séculos XIX e XX
Carga horária presencial 10h Carga Horária online 10h
Ementa
Analisar histórico e culturalmente um dos temas mais recorrentes na
História do Nordeste brasileiro: o fenômeno do Cangaço.
Objetivo Geral
- Entender as raízes da luta armada no sertão nordestino por justiça
e vinganças.
- Refletir sobre as consequências que o fenômeno trouxe para a memória coletiva e cultura do Brasil, especialmente do Nordeste.
Objetivos Específicos (sugestão
de no máximo 5)
- Compreender como jovens homens e mulheres decidiram largar suas
vidas e juntarem-se em bandos armados a percorrer o sertão nordestino.
- Explorar historicamente como se dava a noção de justiça e política
vigentes no local e período e como isso afetava a vida da população sertaneja.
- Analisar visualmente os apetrechos do combate: armas brancas e de
fogo, uniformes, vestimentas, adereços e paisagens.
Competências e/ou habilidades que
o aluno deve desenvolver na disciplina (Mínimo uma em cada; para acrescentar
mais basta inserir nova linha na tabela segue exemplo)
Interagir para a construção de um conhecimento mais específico do
assunto, visto que, comprovadamente, todo nordestino já possui algum
conhecimento mesmo que superficial a respeito do tema.
Instigar o aluno a perceber a riqueza de imagens (fotografias e
vídeos) que se tem disponível para uma melhor compreensão do fenômeno Cangaço,
em formato original (preto e branco) ou colorizadas digitalmente.
Metodologia de ensino
A metodologia tem como principal característica o uso de imagens através
de um Datashow (paradas ou em movimento, mudas ou faladas), já que a atual
geração de alunos (nativos digitais) está muito familiarizada com novas
tecnologias e novas interações aula/interação/aprendizado, acompanhadas por textos
auxiliares e explicações orais por parte do professor.
CONTRIBUIÇÃO PARA A FORMAÇÃO
PROFISSIONAL
A contribuição do curso está na formação da identidade histórica e
cultural do aluno, principalmente os da região Nordeste, já que o fenômeno do
Cangaço está intrinsicamente ligado à identidade e afirmação do “ethos”
nordestino e sertanejo, ajudando também a quebrar certos mitos ligados ao tema,
fomentando o senso crítico do aluno, assim como na construção de trajetórias
coletivas e tradições que podem ter sido inventadas ou não, analisando-se os
interesses das mesmas.
Apresentação
da Unidade 1 do Módulo
Introdução
De Virgulino a Lampião: compreender as transformações na trajetória de um indivíduo comum
que o levaram a abandonar sua vida de outrora para se tornar o maior líder
cangaceiro da História.
Orientações antes
do inicio das aulas
Procurar em suas memórias pessoais relatos e passagens que tenha
lidado ouvidos por pessoas mais velhas, por meio de reportagens na TV, em
filmes ou documentários, a respeito da origem cangaceira de Virgulino Ferreira
da Silva.
Durante a
disciplina
Comparar essas memórias pessoais acumuladas de relatos ouvidos,
muitas das quais fantasiosa ou exagerada, com os novos conhecimentos trazidos
com o curso, tais como: documentos originais e oficiais, depoimentos orais de
testemunhas da época, notícias de jornais (não muito confiáveis, porém uma
fonte), laudos médicos e periciais, autos judiciários, bibliografia,
fotografias raras de pessoas, locais, armamentos e vestimentas, vídeos diversos
(filmes e documentários), cartas e bilhetes etc.
Recomendações
relacionadas às condutas cibersociais que o aluno deve seguir
O tema é recorrente e suscita muita discussão e polêmica. Muitos têm
os cangaceiros como heróis, justiceiros e bandidos sociais lutando por reforma
agrária, justiça, vingança e melhores condições de vida a população pobre do
sertão. Outros os veem como simples bandidos: assaltantes e assassinos que
agiam de forma brutal com quem lhes atrapalhasse. Ambas interpretações são
válidas para análise, porém, determina-se que as discussões sejam respeitosas,
não denegrindo a opinião do outro nem rebaixando-as.
Conteúdo
Programático da Unidade 1
Primeiro
encontro
Apresenta-se o curso “Cangaço” de uma forma geral, seus objetivos e
metodologia. Faz-se necessário deixar claro que os momentos presenciais terão
uma carga horária de 10 horas-aula e as atividades online também 10 horas aula.
Explica-se que o rendimento e comprometimento dos alunos são de suma
importância tanto para o professor, quanto para os educandos: não deixar
acumular tarefas e leituras atrasadas; seu empenho pessoal de ler e assistir o
que foi pedido; organização sistemática e fiel do tempo para se dedicar ao
curso; responsabilidade e dedicação; uso das TIC; gosto pela leitura, escrita e
aguçamento do senso crítico e interpretação de fontes variadas; respeito e
companheirismo mútuos, assim como respeito pelos alunos que possuem menos
informação a respeito do tema; boa sorte no curso.
Apresentação
do Plano de Trabalho da Disciplina.
Pretende-se trabalhar em várias frentes, seguindo algumas etapas
pré-elaboradas:
1 – histórico das relações de poder/ordem/justiça no Nordeste desde os tempos coloniais.
1 – histórico das relações de poder/ordem/justiça no Nordeste desde os tempos coloniais.
2 - surgimento de Lampião como chefe de bando.
3 – primeiros anos da chefia de Lampião e a entrada de mulheres no
bando.
4 – ligações políticas de cangaceiros com chefes locais e regionais.
5 – perseguição, liquidação do bando de Lampião.
6 – o que disseram os jornais da época, assim como filmes
produzidos, documentários e pesquisadores “no rastro de Lampião”, gravando
depoimentos de testemunhas oculares.
Tudo muito bem organizado com textos auxiliares, fotos, vídeos,
mapas e documentos-exemplo etc.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA
DISCIPLINA (Unidade 1):
I – De Virgulino a Lampião.
1.1 – Morre um
homem e nasce outro
1.1.1 – Motivações maiores
1.1.2 – “Tomei gosto por essa vida”
1.2 – Formações de subgrupos
1.2.1 – Enganando a polícia
1.2.2 – Negociando com a polícia
1.2.3 - Perseguição
Unidades Conceituais ou palavras
chaves
Banditismo
social; Coronelismo; Reforma agrária; Justiça.
Unidades
Conceituais ou palavras chaves Anteriores: aquelas que o aluno deve ou deveria
saber antes de iniciar a Unidade ou Módulo
Cangaceirismo
Coronelismo
Reforma agrária
Justiça
|
Unidades
Conceituais ou palavras chaves que o aluno deve apresentar como resultado de
uma aprendizagem significativa ao final desta Unidade ou Módulo
Banditismo social
Indulto penal
Memória coletiva
|
TIC utilizadas.
Fórum
Blog do curso Comunidade no Facebook Grupo no WhatsApp |
Quantidade de
atividades propostas:
Atividade 1: identificar o que são latifúndios,
coronelismo e tipos específicos de criminalidade no Nordeste.
Atividade 2: debater sobre as formas de agir do
cangaceiros e suas ligações com a polícia e demais autoridades.
Atividade 3: teste para
identificação de personagens-chave do tema.
Atividade 4 – adquirir
noções para entender o surgimento do Cangaceirismo e o advento de bandos de
homens armados.
|
Quantidade e tipos
de recursos propostos:
Leitura do artigo ”Os
cangaceiros” de Rui Facó (1980, p. 30-39). Introdução básica com análise
antropológica para início de curso;
Assistir ao vídeo “14
minutos de Lampião” disponível em https://www.youtube.com/watch?v=O33Flqcp5B4 . Elaborar texto sobre imagens vista: vestimentas, organização,
relacionamentos. Vídeo com imagens reais.
Assistir o filme
“Lampião, o Rei do Cangaço” disponível em https://www.youtube.com/watch?v=Nc2VYgWaNlY . Redigir artigo de 3 páginas sobre como a imagem de Lampião foi
recriada pelo cinema brasileiro.
|
Critérios de
Avaliação das Atividades ou Exercícios ou Avaliações propostas (Definir a
função da Avaliação: diagnostica somativa e formativa; caso haja mais de uma
possibilidade, favor definir.)
Avaliação 1
1.
Dias 03
a 09 de abril: acesse o cronograma
disponibilzado no fórum da disciplina;
2.
Nota da
avaliação: (50% da nota)
3. Informe quais recursos devem ser estudados:
4.
Informe
o tipo de avaliação: FORMATIVA;
5.
Informe
o nível de dificuldade da avaliação: moderado;
6.
Informe
o instrumento de avaliação ou TIC a ser utilizada: Blog: postar a resposta na parte de comentários.
7.
Critérios
de avaliação: seguindo
o assunto trabalhado no modulo 1.
Apresentar
o problema sobre o que é banditismo social; apresentar as formas de poder e
alianças políticas da época; descrever a situação da população desamparada do
sertão; entrega no prazo defino no cronograma da disciplina disponível no blog.
8.
Conceito
a ser aprendido: Coronelismo;
9.
Objetivo
pedagógico: Ao final
dessa avaliação você deve aprender o significado da expressão, como ela
funcionava na realidade social do período e como ela se mantem até hoje.
10.
Apresentação
da Consígnia
Refletir
sobre o conceito de coronelismo de ontem e hoje: rupturas e permanências,
velhas e novas práticas, a questão do populismo e compra de votos, além do
voto de cabresto.
|
CRONOGRAMA:
Semana I – De Virgulino a Lampião.
|
|
1.1 – Morre um homem e nasce outro |
|
1.1.1 – Motivações maiores
|
|
1.1.2 – “Tomei gosto por essa vida”
|
|
1.2.1 – Enganando a polícia
|
|
1.2.2 – Negociando com a polícia
|
Bibliografia Básica da Disciplina
ARAÚJO, Antônio Amaury C. Lampião e as cabeças cortadas. Ed. UFPE,
2008.
ARAÚJO, Antônio Amaury C. Virgulino. Ed. UFPE 2009.
ARAÚJO, Antônio Amaury C. As faces do Cangaço. Ed. UFPE 2011.
FACÓ, Rui. Cangaceiros e Fanáticos. Ed. UFC. 1980.
Leitura Digital
Algumas reflexões à respeito das leituras digitais e hipertexto:
A leitura é ponto mais importante para a
interpretação, ou seja, interpretar é compreender. Quando se trata de um texto,
interpretar quer dizer ir às entrelinhas, aos detalhes, sutilezas e certos
mistérios da mensagem: interpretar é enxergar além da superfície, entrar com
força no texto e sentir todas as emoções que ele pode despertar, independente
do seu teor.
A própria relação entre “leitor” e “texto” são mudadas com a introdução de novas plataformas. No caso do texto digital, nota-se um “afastamento” entre o leitor e o texto, já que ele passa a ter um contato menos “físico” com o que anda lendo. O leitor da “Mídia Impressa” manuseia as páginas de livros, revistas, jornais, quadrinhos, coloca-os no colo, lê na cama, no ônibus, leva-os com ele a vários lugares em uma relação muito mais próxima e intimista, quase romântica dependendo do caso.
A própria dinâmica entre autor e leitor também muda bastante com o surgimento das novas tecnologias, na medida em que a distância entre eles diminui. Hoje, sabemos que muitos desses autores escrevem diretamente para a internet, para o leitor digital, mesmo autores consagrados e com “moral” no meio editorial, quanto autores desconhecidos, “undergrounds”, que interagem através de e-mails ou redes sociais. Isso hoje é muito comum.
Porém, a grande intensificação TIC nas mais variadas instâncias da nossa vida tem gerado importantes mudanças na orientação do estudo referente as práticas sociais de leitura na atualidade.
A tecnologia tornou possível uma nova ideia de leitura em contextos digitais, porém atribui outra dinâmica à leitura feita no contexto de certos documentos. Todos nós que lidamos com educação de crianças, adolescentes e até mesmo adultos lidamos com alguns questionamentos: como garantir o aspecto socializante do letramento quando ele ocorre com a intermediação de aparelhos tecnológicos? Quais serão as implicações para a formação de leitores da transição da página para a tela? Como os professores brasileiros estão vendo e pensando essa mudança? E a qualidade e conteúdo desses textos digitais, como são?
É possível perceber nitidamente essas mudanças na relação leitor-autor quando pensamos no caso da Internet. A diminuição do controle das grandes editoras e a facilidade para publicar um texto na web contribuem para a reflexão da noção da própria “autoria”. O próprio hipertexto vai sendo feito de acordo com as opções feitas pelo leitor no ato da sua leitura. Outras características podem ser notadas no suporte digital, dentre eles:
1 - a diversidade de representações oferecida pelo texto digital, permitindo integrar textos, imagens e sons no mesmo suporte;
2 - o fato de o leitor poder embaralhar, cruzar e reunir textos que são inscritos na mesma memória eletrônica;
3 - a falta de fronteiras mais visíveis do texto devido à sua disposição em janelas e à sua estrutura hipertextual (formada por links), que oculta grande parte do conteúdo e causa dificuldades de se ter uma visão global de seu conjunto.
A atual escola brasileira, principalmente
as da rede pública, ainda trabalham com uma forma muito arcaica de aprendizagem/leitura/escrita/compreensão
de textos, trabalhando quase que apenas com leituras de um dado livro didático,
escrita num quadro negro (de giz, ainda!), uma cópia desse conteúdo para os
respectivos cadernos, uma leitura superficial e sofrida dessas linhas e uma
bateria de questionários simplórios sobre o que acabou de ser feito. É isso que
se vê na imensa maioria dos casos, independente da escola pública (e muitas particulares)
que se faça essa observação in loco. E isso é mais preocupante e atemporal
ainda quando nos damos conta que estamos lidando com os já debatidos no nosso
curso, ”nativos digitais”, uma geração de jovens que estão habituados a lidar
com tecnologias digitais e na internet, um verdadeiro mar de hipertextos, com
várias janelas (ou abas) abertas ao mesmo tempo, uma rede social, um site de
vídeos, um site com músicas online e o Word aberto. A própria relação entre “leitor” e “texto” são mudadas com a introdução de novas plataformas. No caso do texto digital, nota-se um “afastamento” entre o leitor e o texto, já que ele passa a ter um contato menos “físico” com o que anda lendo. O leitor da “Mídia Impressa” manuseia as páginas de livros, revistas, jornais, quadrinhos, coloca-os no colo, lê na cama, no ônibus, leva-os com ele a vários lugares em uma relação muito mais próxima e intimista, quase romântica dependendo do caso.
A própria dinâmica entre autor e leitor também muda bastante com o surgimento das novas tecnologias, na medida em que a distância entre eles diminui. Hoje, sabemos que muitos desses autores escrevem diretamente para a internet, para o leitor digital, mesmo autores consagrados e com “moral” no meio editorial, quanto autores desconhecidos, “undergrounds”, que interagem através de e-mails ou redes sociais. Isso hoje é muito comum.
Porém, a grande intensificação TIC nas mais variadas instâncias da nossa vida tem gerado importantes mudanças na orientação do estudo referente as práticas sociais de leitura na atualidade.
A tecnologia tornou possível uma nova ideia de leitura em contextos digitais, porém atribui outra dinâmica à leitura feita no contexto de certos documentos. Todos nós que lidamos com educação de crianças, adolescentes e até mesmo adultos lidamos com alguns questionamentos: como garantir o aspecto socializante do letramento quando ele ocorre com a intermediação de aparelhos tecnológicos? Quais serão as implicações para a formação de leitores da transição da página para a tela? Como os professores brasileiros estão vendo e pensando essa mudança? E a qualidade e conteúdo desses textos digitais, como são?
É possível perceber nitidamente essas mudanças na relação leitor-autor quando pensamos no caso da Internet. A diminuição do controle das grandes editoras e a facilidade para publicar um texto na web contribuem para a reflexão da noção da própria “autoria”. O próprio hipertexto vai sendo feito de acordo com as opções feitas pelo leitor no ato da sua leitura. Outras características podem ser notadas no suporte digital, dentre eles:
1 - a diversidade de representações oferecida pelo texto digital, permitindo integrar textos, imagens e sons no mesmo suporte;
2 - o fato de o leitor poder embaralhar, cruzar e reunir textos que são inscritos na mesma memória eletrônica;
3 - a falta de fronteiras mais visíveis do texto devido à sua disposição em janelas e à sua estrutura hipertextual (formada por links), que oculta grande parte do conteúdo e causa dificuldades de se ter uma visão global de seu conjunto.
Essa mesma escola, de mãos dadas com as respectivas Secretarias de Educação, tem a missão de ajudar seu alunado a trabalhar de forma diferente, num sentido diferente. A internet e os hipertextos vieram para ficar e cabe aos profissionais da educação se adequarem e se atualizarem para lidar com essas novidades, ajudarem seus alunos a fazerem pesquisas mais objetivas na internet (nas variadas disciplinas escolares), filtrarem informações que não caibam ou não estejam claras, enfim, para que este aluno, caso não seja um leitor “tradicional” da mídia impressa, possa, ao menos, ser um bom leitor da mídia digital, com o mesmo senso crítico e de compreensão que ambas mídias necessitam.
Assinar:
Postagens (Atom)

